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Marcela
Vaz Silva- Uma cadeirante que casando-se
paraplégica já contrariou algumas expectativas de vida reservadas
para os chamados diferentes. Esse foi apenas o começo, pois Tchela,
como é carinhosamente conhecida na blogsfera, ao lado de seu
marido Benê constituíram uma família super feliz com dois
filhos: o Ricardinho e mais recentemente Luiz Felipe (cuja gravidez
e nascimento tivemos oportunidade de acompanhar pela internet). E
como se não bastasse ter uma vida comum como todo mundo, essa
irrequieta senhora deu de querer mudar o mundo, pra melhor é claro,
e vai à luta com uma arma poderosa em mãos: a internet! Veja um
exemplo:
Garantia para quem?
, e vai por aí afora, exigindo seus direitos
por onde passa, como vestiários apropriados em lojas, dando exemplo
pra muita gente... |
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Conheça seu blog, Maré:
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TCHELA
Antes
da paraplegia, entre os cinco e os seis anos, eu já freqüentava a
pré-escola, mas o período de internação e reabilitação me deixou
fora da escola dos seis aos nove anos. Fui alfabetizada em casa por
minha mãe. Retomei meus estudos, na AACD, pulando a primeira série e
indo direto para a segunda. Por lá fiquei até o término da terceira
série e aprendi que minha deficiência não me fazia diferente de
outras crianças, mas exigia de mim dedicação e esforço para me
tornar independente. Daí em diante, fui para a vida, junto a alunos
comuns em escolas comuns e isso foi extremamente importante para
mim.
Eu estava empolgada para ir para a mesma escola em que meus
irmãos estudavam, para estar entre crianças comuns, sem precisar
mais ficar quase o dia todo fora de casa.
Em minha primeira escola, depois da AACD, fiquei apenas
dois meses. A escola era recém construída e toda cheia de rampas,
mas não me sentia bem por lá, pois minha cadeira era vista como
brinquedo por algumas crianças que gostavam de descer as rampas me
empurrando bem rápido. No começo era até divertido...
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O Almanaque da Hora iniciou aqui uma
série de matérias relacionadas com questão
da cidadania.
Nosso primeiro tema referiu-se ao problema
vivenciado pelos povos indígenas,
ribeirinhos e pelos quilombolas
(remanescentes de escravos cuja liberdade
foi conquistada muito antes da Lei Áurea)
que vivem em nossa região, mais
precisamente no Vale do Ribeira.
Ameaçados pela construção de
usinas hidrelétricas, que inundariam suas
terras, estes povos temem este rude golpe em
sua luta centenária pela sobrevivência
harmoniosa com a natureza e em seus projetos
de desenvolvimento auto-sustentáveis.
Além de beneficiar
apenas grandes indústrias localizadas na
capital, estas represas causariam um enorme
impacto ambiental na região, diminuindo
também nossas potencialidades
turísticas.
Veja entrevista com
Oriel Rodrigues, 30 anos,
nascido na comunidade de Ivaporunduva,
município de Eldorado, no Vale do Ribeira.
E saiba mais sobre estas bandeiras aqui:
 
Fundado em 1994,
para propor soluções de maneira integrada a questões sociais e ambientais, o
ISA tem como objetivo principal defender bens e direitos sociais, coletivos
e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos
humanos e dos povos |
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A realidade é uma esfera
Caro Edson,
Ao visitar o Almanaque da Hora li a coluna Cidadania
e não
posso deixar de expressar minha discordância com relação à parte do que li.
Refiro-me ao trecho "Além de beneficiar apenas grandes indústrias
localizadas na capital, estas represas causariam um enorme impacto
ambiental na região, diminuindo também nossas potencialidades turísticas."
É apenas uma frase, citando três aspectos negativos
atribuídos à barragem que uma indústria pretende, há décadas, construir no
Vale do Ribeira. Como acompanho esta questão a certa distância desde há
muito tempo e, por outro lado, trabalho na área de licenciamento ambiental
de empreendimentos, sinto-me na obrigação de contra-argumentar essas
afirmações. Ao fazê-lo, vejo-me, para meu espanto, defendendo
interesses da tal grande indústria! Quem diria, penso eu. Até já fui
estagiário desse grupo industrial que pretende a construção, nos anos 70, e,
se gostasse tanto assim dele,
provavelmente ainda estaria nele trabalhando. Também já prestei serviços
para este grupo, mais recentemente, mas não é por isso que quero
contra-argumentar. É em nome da razão. Da verdade. Da realidade. Mas, aí, me
vem à mente outra questão: quem esta com a razão? Dúvida eterna do ser
humano.
Mas, é-nos possível garimpar entre os pensamentos e detectar
aqueles
que grosseiramente atentam contra a razão. Essa é uma ponta do fio no
emaranhado, que podemos puxar. Dentre os três aspectos negativos a que me
referi, dois deles são bastante polêmicos em sua apreciação, pois dependem
em grande parte dos valores de
cada um, além do nível de hipocrisia que cada um aceita para si. Refiro-me
ao "enorme impacto ambiental" e à "diminuição das potencialidades
turísticas".
Não quero me ater a estas duas questões, embora manifeste aqui que conheço
bem a região, morei e trabalhei nela por muitos anos e sou a favor da
construção da barragem, não porque considero os seus impactos negativos
irrelevantes, mas sim porque considero os benefícios advindos da sua
construção mais relevantes do que os negativos.
Mas, o terceiro aspecto citado: "beneficiar apenas grandes
indústrias localizadas na capital" me parece uma ponta da linha emaranhada
que é a discussão que hoje avança pelo Brasil, e pelo mundo também, na qual,
vestidos com o discurso inatacável e altruísta de proteção à natureza,
muitos estão lucrando financeiramente, muitas vezes de maneira enganosa para
o povo, tal como fazem algumas igrejas famosas e fizeram recentemente,
partidos políticos, empunhando bandeiras inatacáveis enquanto adotavam
práticas execráveis. Devo lembrar que apenas as bandeiras são inatacáveis,
os homens devem ser sempre observados criticamente, pois não faltam exemplos
na história de "picaretas" que se utilizaram do maniqueísmo para conseguir
seus intentos espúrios.
Eu
faço uma pergunta para que cada um busque em si a resposta: uma indústria
beneficia somente a si própria? Não vou aqui expressar minha resposta a essa
pergunta, porque ela me parece óbvia. Feita esta pergunta, eu os convido à
leitura de um artigo publicado por um professor da Universidade Estadual de
Maringá, onde ele aborda mais profundamente a questão do maniqueísmo, na
página:
http://www.espacoacademico.com.br/007/07ray.htm
O caminho-da-roça é o mais fácil, mas ele nos leva sempre ao
mesmo lugar. Acredito que o caminho para o desenvolvimento social de um povo
está condicionado à sua capacidade de se organizar através da criação e
cumprimento de leis, perante as quais todos são iguais. Não acredito em
caminhos alternativos ao diálogo e à conquista política.
Pode parecer muito
estardalhaço sobre uma simples frase, mas acho que
nela esta embutida uma grande questão que, na minha opinião, aponta o Brasil
para o caminho do empobrecimento e subserviência, enquanto uns poucos
resolvem suas vidas financeiramente, tal como alguns "bispos" famosos...
Estão impregnando no imaginário popular, com muito sucesso, que todo
empreendimento produtivo atenta contra o meio ambiente e deve ser impedido
de funcionar. Isso já está causando encarecimento dos produtos nacionais,
seja pelo aumento de custos, seja pela diminuição de oferta e, pior, tende a
aumentar ainda mais, atrasando o desenvolvimento econômico e social de nosso
país. Estamos atirando em nossos pés, mas dizer tudo isso não é
politicamente perfeito como dizer vamos salvar a natureza, não vende nada...
Espero que o Almanaque da Hora mantenha-se sempre ao largo de discursos
maniqueístas, pois estes estão invariavelmente relacionados a interesses
escusos. Para mim, a realidade é como uma esfera, não tem lados, mas tem
infinitos pontos de vista, e eu não quero nunca estar preso a um deles, por
quaisquer motivos.
Um
abraço.
Emerson Panis Kaseker
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